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MENSAGEM

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"Não me envergonho do evangelho, mas morro de vergonha dos evangélicos!"

"Se você está tranquilo... é porque está mal informado" (frase escrita num muro em São Paulo)

O professor Alfonso López Quintás escreveu que "hoje, nem tudo está perdido, mas tudo está ameaçado". A suspeita domina. É difícil sentir-se completamente confortável na igreja de hoje. A "criatividade" duvidosa (por vezes, dolorosa) produz do ridículo ao bizarro em mísera meia hora de "culto".

Assumo: tô duvidando de tudo! Surge mais um apóstolo: duvido! Inventam mais uma "unção poderosa da sagrada fé": duvido! Acontece mais uma "micareta evangélica": duvido! Ocorre mais um surto de "milagromania": duvido! Outro "profeta" solta a "verborréia" (como diz o professor Gabriel Perissé), e eu duvido! Minha veia bereana fica alucinada toda vez que essas "coisas" ocorrem.

A salvação está na dúvida! Está na coragem de denunciar o óbvio. Na liberdade para ser do contra. Na alegria em não ser parte da mesma engrenagem tendenciosa do evangelicalismo de mercado da atualidade. Essa feira teológica é deprimente.

Por favor, chega daquelas fugas do tipo: "só devemos orar"; "não toque nos ungidos..."; "cada um tem um ministério..." Essas fugas são apenas as muletas que alguns usam para iludir as próprias pernas. Em nome do "ministério" surge cada palhaçada... Em nome dessa tal "unção", os púlpitos estão lotados de vigaristas da religiosidade. Em nome da "oração", a gente deixa a coisa correr... só Deus sabe para onde.

Um amigo meu, dos tempos de seminário, escreveu em sua página do Orkut: "Não me envergonho do evangelho, mas morro de vergonha dos evangélicos!" Por mais doloroso que seja, preciso concordar com ele. Duvido porque sei que o que vejo hoje não é digno do meu esfoço de fé.

Duvide! Não leve pra casa esse marmitex religioso apodrecido. Isso é o pecado da gula! Comer só por comer e beber só por beber, é matar de fome e sede nosso ser!

Aliás, fique à vontade pra duvidar desse texto também!

Fonte: ALAN BRIZOTTI


Ao Deus da minha vida


Acolheste-me em tua hospedaria.Delicado com o meu passado, mostras o tamanho de tua discrição.
Sem relutar, achega-te. Mesmo com muitas alternativas, decides ajudar-me a florescer. Não medes esforços para te revelares. Nunca te esquivas de meu olhar suplicante. Continuas a falar-me através dos violinos, das flautas, dos realejos. Percebo a tua simpatia no sorriso das crianças.
Porque és manso e humilde, encontro descanso para a minha alma. Caminhas comigo uma segunda milha. Perco a conta dos teus perdões.
Sem neurose ou fantasia, considero-te o meu modelo de vida.
Transformas meu resguardo em audácia; meu arrojo, em cautela; meu atrevimento, em circunspeção; minha timidez, em fibra. Animaste o meu cotidiano. Estimulas o meu enfado. Pacificas a minha afoiteza. Eu, fujão, aprendo resiliência contigo. Trêmulo, encaro os dias maus porque me vestes com a tua armadura. Apesar de petrificado com temores infantis, tua compaixão me constrange a continuar.
Em ti cabem todos os elogios: esplêndido, nobre, sublime, majestático. Abano palmas, grito aleluias, quero que o mundo saiba que és notável.
Tu não constas em hierarquias; não cabes em definições; transbordas os limites.
Meu ser se agita e minha língua trepida, só de pensar que sou alvo de teu interesse.
Meu coração é a tua tenda, meus pés, as tuas passadas e as minhas mãos, o teu toque. Resta-me sussurrar: Muito obrigado!
pastor ricardo gondim.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

VELHICE.




OBS:GERALMENTE NESTE BLOG TENHO COLOCADO POSTAGENS QUE NÃO SÃO DE MINHA AUTORIA,MAS AQUI FAÇO UMA ABERTURA E COLOCO UMA POSTAGEM QUE EU ESCREVI.



- Hoje eu vi um velho gari com um rosto desfigurado e parecia cansado.


- Hoje eu vi um velho sendo conduzido por sua filha e parecia inútil.


- Hoje eu vi um velho sentado em uma cadeira com uma bengala na mão e parecia solitário.


- Hoje eu vi um velho viúvo e parecia com saudades.


- Hoje eu vi um velho morto e parecia ...


- Hoje eu me vi velho e perguntei: Como será minha velhice?


- Hoje é o dia de cuidarmos, valorizarmos e amarmos aqueles da terceira idade que estão cansados, se sentindo inúteis, solitários, com saudades e a beira de deixar esta vida.


MARCOS MACIEL SOUSA.



A PESSOA POR DENTRO.


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa

AS CARTAS DE AMOR.

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


FERNANDO PESSOA.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

estou farto de semideuses!


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


FERNANDO PESSOA.

ESTOU TONTO.


Estou tonto,

Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,

Ou de ambas as coisas.

O que sei é que estou tonto

E não sei bem se me devo levantar da cadeira

Ou como me levantaria dela.

Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal

Que vida fiz eu da vida?

Nada.

Tudo interstícios,

Tudo aproximações,

Tudo função do irregular e do absurdo,

Tudo nada...

É por isso que estou tonto...

Agora

Todas as manhãs me levanto

Tonto...

Sim, verdadeiramente tonto...

Sem saber em mim o meu nome,

Sem saber onde estou,

Sem saber o que fui,

Sem saber nada.

Mas se isto é assim é assim.

Deixo-me estar na cadeira.

Estou tonto.

Bem, estou tonto.

Fico sentado

E tonto,

Sim, tonto,

Tonto...

Tonto...


FERNANDO PESSOA.

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos.


Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,

Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.

São felizes, porque não são eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,

Vivem entre vasos de flores,

Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,

Cantam sempre, sem dúvida.

Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.

Assim tem que ser onde tudo se ajusta —

O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?

Quais outros? Não há outros.

O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,

Ou, quando se abre,

É para as crianças brincarem na varanda de grades,

Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.

Os outros nunca sentem.

Quem sente somos nós,

Sim, todos nós,

Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei...

Um nada que dói...


FERNANDO PESSOA.

o dia em que Deus cumpriu a sentença dos réus.


Bilhões de pessoas estavam espalhadas por uma grande planície, diante do trono de Deus. Alguns do grupo mais da frente conversavam calorosamente. Não falavam com reverência, mas em aberta beligerância. “Como Deus pode nos julgar?”, perguntavam. “O que ele sabe sobre o sofrimento?”, gritou uma loira. Arregaçando a manga de sua blusa, mostrou um número tatuado em um campo de concentração nazista. “Sofremos medo, açoites, torturas, morte”, continuou. Em outro grupo, um negro baixou o colarinho. “Que tal isto”?, exigiu mostrando uma feia queimadura provocada por cordas. “Fui linchado apenas por ser negro. Sufocamos em navios escravos. Fomos arrancados do convívio de nossos queridos, trabalhamos debaixo do chicote até que a morte nos aliviou”.Grupos semelhantes se articulavam em toda aquela planície. Cada um se queixava de Deus pelo mal e sofrimento que permitiu no mundo que cle mesmo criara. “O que Deus sabe sobre o que a humanidade suportou? Como Deus é feliz por morar no céu. Lá não há lágrimas, medo, fome, ódios. Deus leva uma vida bem confortável”, afirmavam.Então cada grupo decidiu enviar um representante diante de Deus; escolhido pelo que mais sofreu. Havia um judeu, um negro, um marginalizado da Índia, um bastardo, uma japonesa de Hiroshima, um preso de um campo de concentração russo, uma mulher africana contaminada com HIV, cujos filhos morreram de fome.Antes se reuniram no centro daquela vasta planície para se organizarem. Chegaram a um consenso. Antes que Deus se qualificasse para julgá-los, precisaria experimentar o que eles experimentaram. Decidiram sentenciá-lo: que ele viva na terra como homem.Mas como era Deus, estabeleceram algumas salvaguardas. Ele não poderia se valer de seus poderes divinos para se proteger. “Que nasça judeu; que a legitimidade de sua paternidade seja questionada e que ninguém saiba com segurança quem foi o seu pai; que lidere uma causa tão justa e tão radical, que atraia o ódio e a condenação dos poderosos; que a religião oficial se esforce para eliminá-lo; que tente descrever o que nenhuma pessoa jamais provou, ouviu ou percebeu; que tente comunicar Deus aos homens; que seja traído por um dos seus amigos mais queridos; que seja indiciado com provas falsas; que seja julgado por um júri preconceituoso e que o seu juiz seja um covarde; que experimente o que é sentir-se completamente abandonado por todos; que seja torturado e que morra. Mas que sua morte seja a mais humilhante, e que morra ao lado de ladrões ordinários.À medida que cada líder anunciava a sua sentença, um murmúrio se espalhou pela planície. A aprovação parecia unânime! Mas quando o último expressou a sua sentença, houve um profundo silêncio. Ninguém se atreveu falar, ninguém se moveu. De repente, todos perceberam: – Deus já cumprira a sentença dos réus.

sábado, 22 de agosto de 2009

A vida ali deve ser feliz.


À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.


Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.

Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?
Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?


FERNANDO PESSOA.

ESCOLHAS.

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro –
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais
,A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.


FERNANDO PESSOA.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

vergonha de ser honesto.


"De tanto ver triunfar as nulidades,de tanto ver prosperar a desonra,de tanto ver crescer as injustiças,de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus,o homem chega a desanimar-se da virtude,a rir da honra,a ter vergonha de ser honesto."
rui barbosa.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

expressão do amor de Deus.

O fim de tudo o que se faz na igreja deve levar as pessoas a amarem a Deus. As organizações religiosas, os sistemas institucionais e toda ambiência comunitária não podem deixar de facilitar nossa intimidade com Ele. As igrejas devem ser lugar de águas para os que têm sede de Deus; lugar de pão para os que estão com fome espiritual; lugar de misericórdia para os que carregam culpas; lugar de afetos para os que se sentem órfãos; lugar de cuidado para os que se sentem ovelhas necessitando de pastor. Só se alcança esse objetivo amando a Deus e só assim fugimos do farisaísmo e nos tornamos expressão do seu amor.

ricardo gondim é pastor.

uma triste realidade.




A cada canto um grande conselheiro.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.

Gregório de Matos É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa.



O GRITO DA HUMANIDADE.


Não só os pobres e oprimidos gritam. Gritam as águas, gritam os animais, gritam as florestas, gritam os solos, enfim, grita a Terra como super-organismo vivo, chamada Gaia. Gritam porque são sistematicamente agredidos. Gritam porque não se lhes reconhece sua autonomia e valor intrínseco. Gritam porque são ameaçados de desaparecer. A cada dia cerca de 10 espécies de seres vivos desaparecem devido à agressividade crescente do processo industrialista contemporâneo.

A mesma lógica que explora as classes e subjuga nações, depreda os ecosistemas e extenua o Planeta Terra. A Terra como seus filhos e filhas empobrecidos precisa de libertação. Todos vivemos oprimidos sob um paradigma de civilização que nos exilou da comunidade de vida, que se relaciona com violência sobre a natureza e que nos fez perder a reverência face à sacralidade e à majestade do universo. Esquecemos que somos um elo da imensa corrente de vida e que somos coresponsáveis pelo destino comum da humanidade e da Terra.


LEONARDO BOFF.

capacidade de amar.

O que faz de nós imagem e semelhança de Deus é a capacidade de amar e a linguagem. Animais também amam, tanto que certos pássaros, como os pardais, se mantêm fiéis após se acasalarem. Mas somente o ser humano possui um nível de consciência que lhe permite ordenar e expressar sentimentos, emoções, intuições e afetos. Isso nos faz semelhança divina. Deus é amor e seu afeto por nós se manifesta na linguagem contida na narrativa bíblica e na epifania do Verbo que, entre nós, se fez carne.

frei betto
é Frade Dominicano, Teólogo, Antropólogo, Filósofo, Jornalista e Escritor.

domingo, 16 de agosto de 2009

AMIGOS.


O amigo é aquele que tem todos os motivos para desistir de você e não desiste. Você fez por merecer a separação. Exagerou. Afastou o abraço, gritou que ele não o compreende. Mas o amigo entende até na incompreensão. Aguarda entender.

Eu preciso de um amigo que não me renuncie quando já desisti. Que me lembre de não desistir. Que seja insistente como o esquecimento dos velhos. Que desperte o meu humor no desespero, que se desespere com a ausência de notícias.

Um amigo que não numere as páginas do livro. Toda página pode ser a mesma. Um amigo que sopre meu rosto perto de sua boca, como uma gaita de mão. Um amigo capaz de esconder seu amor para proteger a amizade e de me aconselhar a seguir o que ele tinha vontade.

Um amigo que desconheça minha infância para repeti-la, que conheça minhas dores para não tocá-las, que assobie minha alegria para alardeá-la. Que não me torture com os meus defeitos. Que me perdoe por não ser como ele. Aliás, que me agradeça por não ser igual a ele.

Um amigo que não use meus segredos para ganhar outros amigos. Um amigo que abra o vidro do carro para apanhar o resto do céu. Que cante alto no volante no momento em que ansiava pelo silêncio e me obrigue a dispensar a timidez para desafinar junto. Na estrada, o vento também canta de olhos fechados.

Um amigo com cheiro de cortina. Isso: cheiro de cortina, com a experiência de enrolar várias e várias vezes o corpo na cortina. E que tenha recebido beijos dos pais com o tecido arregalado no rosto. Quem se escondeu na cortina deu giros dentro de si e de seus problemas e aprendeu a regressar.

O amigo do primeiro desejo, não do último. O amigo que não me espera no recreio, o amigo que me espera no final da aula. O amigo que é a haste do mar, que não fica de pé no barco, para não desequilibrá-lo.

Não quero um amigo que fuja na primeira ofensa, que se isole ofendido num canto, amarrado no orgulho, condicionado às palavras. Um amigo que não fale por mim, que fale através de mim. Não quero um amigo que me ofenda porque não atendi suas expectativas.

Amigo não tem expectativa, tem esperança. O amigo vai procurá-lo não sendo necessário. Vai aumentá-lo enquanto está diminuído e vai diminuí-lo para preveni-lo da ambição.

O amigo é do contra ao seu lado. O amigo dirá as verdades por respeito, não se eximirá de opinar, tudo com zelo e contenção. Não abandonará a corda da pandorga ainda que ela sirva de fio telefônico para chuva.

Tive amigos que se fecharam, desapareceram, que me trocaram por uma fofoca, que chegaram à porta e recuaram ao portão. Esses amigos não foram amigos, se é amigo só depois da amizade. Depois de sofrer com a amizade. O amigo é como um irmão, que se briga feio, se discute aos pontapés e palavrões e volta a se falar. Volta a se falar porque é irmão.

O amigo sempre volta. Pensando bem, não volta, nunca saiu do lugar. Ele é a rua que atravesso para chegar em casa.

Fabrício Carpinejar

sábado, 15 de agosto de 2009

O FUTURO.


E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...


toquinho na canção aquarela.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Aonde Deus possa me ouvir.


Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui pode sair.

Adeus...


AUTOR:VANDER LEE.

meu jardim.

Meu Jardim
(Composição: Vander Lee)


Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores

Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores

Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores

Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho

Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho

Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim...

Estou cuidando bem de mim...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

cuidar uns dos outros.

ou todos nos cuidamos uns dos outros e assim sobreviveremos na mesma Casa Comum ou todos podemos ir ao encontro do pior. Cabe a nós decidir que futuro queremos. Quem conhece a história da vida, tira dela esta lição benaventurada: depois de cada grande catástrofe, a vida sempre floresceu e floresceu como nunca antes. Agora, assim o esperamos, não será diferente. Floreceremos em mais convivialidade, com mais senso da inclusão de todos, com mais veneração pela natureza e com mais acolhida das diferentes tribos da Terra e a com mais abertura à Fonte de todo o ser.

LEONARDO BOFF.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

EU ME AMO.

Há quanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz , já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei prá aprender
Daqui prá frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Eu me amo , eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Prá eu gostar de mim , me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Prá toda vida eu quero estar comigo

Foi tão difícil prá eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar , mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar.


ULTRAJE A RIGOR.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Longínquo e próximo.


O preso sofre porque sonha com o outro lado da muralha; a alegria de correr lhe parece tão próxima. O peixe se desespera porque contempla a água pertinho, na maré baixa, sem conseguir tocá-la. O passarinho gorjeia seu lamento porque a gaiola vazada expõe os galhos da árvore, que parecem acenar convite para uma dança.

Padecemos com a felicidade afastada apenas dois milímetros, mas que não se deixa conquistar. O amor mora na casa vizinha, não nos confins do mundo. Bastaria ter a chave que abre seu portão; mas não temos. A paz pode acontecer com um abraço, porém, sem jeito para ceder, acabamos atolados no ódio.

Existe algo que quase podemos expressar; alguém que quase podemos descrever; um lugar que quase acreditamos existir; uma alegria que quase podemos experimentar, um amor que quase podemos viver; esse quase, mortifica.

Esforçamo-nos para fugir, com os raios da alvorada, e alcançar os confins do universo. Queremos nos distanciar dessa proximidade, ela nos despedaça. Mas lá, muito longe, continuaremos insatisfeitos. Todas essas convexidades residem na alma para nos lembrar que Deus tem o nome de nossos anseios.


RICARDO GONDIM.

caminho do equílibrio entre dois extremos.


- Há dois extremos, ó monges, que devem ser evitados para aqueles que renunciaram a ignorância do mundo.
- Quais são eles?
- Um é a vida de prazeres mundanos extremados, consagrada à concupiscência, ao materialismo, especialmente a sensualidade: essa vida é ignóbil, aviltante e estéril. O outro extremo é a prática habitual do ascetismo e da miséria, infligindo ao corpo uma vida de cruéis austeridades, auto mortificações penosas, tristes, dolorosas e também estéreis. Há uma vida média que é perfeição, que evita esses dois extremos, isto é, levar uma vida humana normal, porém refreando as tendências egoístas e todos os desejos que perturbam a nossa mente. Esse é o caminho que leva à paz, a sabedoria, e à plena compreensão.

(buda sidarta gautama)

domingo, 2 de agosto de 2009

JAMAIS-NUNCA-EM TEMPO ALGUM.


 Jamais menospreze um colega;
 Jamais critique algo sem conhecer profundamente;
 Jamais se considere o dono do mundo e da verdade;
 Jamais discuta com um colega por motivos banais;
 Jamais esqueça que uma amizade de colégio, dependendo de você, poderá nunca acabar;
 Jamais “pesque”, “cole” a prova, o teste, a avaliação do colega porque o único prejudicado será você mesmo. E, quando necessitar daquele conhecimento em outro local, você nem sempre terá o mesmo colega por perto para lhe ajudar;
 Nunca veja o professor como um inimigo e, sim, como uma pessoa que é estudante, é um parceiro seu, alguém que deseja somente o bem. E, quanto mais exigente for, mais você aprenderá. Com o passar do tempo, você reconhecerá o seu valor;
 Em tempo algum fale mal do seu colégio porque, aceitando ou não, você faz parte dele;
 Em tempo algum estimule ou participe de atos contrários às normas do seu colégio;
 Em tempo algum destrua qualquer objeto de utilidade pública, coletiva;
 Em tempo algum se deixe influenciar por colegas que não querem estudar, que vão para a escola apenas porque os pais mandam;
 Em tempo algum “gazeie” aulas porque o prejudicado será sempre você. Você estará perdendo o seu precioso tempo.


CARLOS AURINO NO LIVRO ''AO JOVEM DO NOVO MILÊNIO''

No campo de mundo tu és um semeador.

No campo do mundo tu és um semeador.

Não podes fugir à responsabilidade de semear.

Não digas que o solo é áspero, que chove amiúde, que o sol queima ou que a semente não serve.

Não é tua função julgar a terra e o tempo, tua missão é semear.

A semente é abundante!

Um pensamento, um sorriso, uma promessa de alento, um aperto de mão, um conselho, um pouco d'água, são sementes que germinam facilmente.

Não semeies, porém, descuidadamente como quem cumpre uma missão desagradável!

Semeia com interesse, com amor, com atenção, como quem encontra nisso o motivo central de sua felicidade!

E ao semear não penses, quanto me darão?

Quanto demorará a colheita?

Recorda que não semeias para enriquecer aguardando o ganho multiplicado; semeias porque não podes estar inativo, porque não podes viver sem dar, porque não podes servir a Deus sem servir aos demais!

Tua semente, pois, não cairá no vazio.

Sem esperar recompensa, receberás recompensa, sem esperar riquezas, enriquecerás; sem pensar em colheita, teus bens se multiplicarão.

E tudo porque semeias num reino onde dar é receber, onde perder a vida é encontra-la, onde gastar-se, servindo, é aumentar.

Semeia sempre, em todo terreno em todo tempo, a boa semente, com amor, com interesse, como se estivesses semeando o próprio coração!

Sê, pois, um semeador.


.......AUTOR DESCONHECIDO.......


sábado, 1 de agosto de 2009

A SIMPLICIDADE DA VIDA.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,
você pode encontrá-la e deixá-la ir embora
por não perceber sua simplicidade.

MÁRIO QUINTANA.

TOCANDO EM FRENTE.


Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz.

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira.