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MENSAGEM

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA.



Tenho o direito de ter raiva, de manifestá-la, de tê-la como motivação para minha
briga tal qual tenho o direito de amar, de expressar meu amor ao mundo, de tê-lo como
motivação de minha briga porque, histórico, vivo a Historia como tempo de
possibilidade e não de determinação. Se a realidade fosse assim porque estivesse dito
que assim teria de ser não haveria sequer por que ter raiva. Meu direito à raiva
pressupõe que, na experiência histórica da qual participo, o amanhã não é algo prédatado,
mas um desafio, um problema. A minha raiva, minha justa ira, se funda na
minha revolta em face da negação do direito de “ser mais” inscrito na natureza dos seres
humanos. Não posso, por isso, cruzar os braços fatalistamente diante da miséria,
esvaziando, desta maneira, minha responsabilidade no discurso cínico e “morno”, que
fala da impossibilidade de mudar porque a realidade é mesmo assim. O discurso da
acomodação ou de sua defesa, o discurso da exaltação do silêncio imposto de que
resulta a imobilidade dos silenciados, o discurso do elogio da adaptação tomada como
fado ou sina é um discurso negador da humanização de cuja responsabilidade não
podemos nos eximir.


extraído do livro ''pedagogia da autonomia'' de autoria do educador paulo freire.