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MENSAGEM

sábado, 27 de novembro de 2010

Já se houve cantar o negro.


Já se ouve cantar o negro,
mas inda vem longe o dia.
Será pela estrêla-d'alva,
com seus raios de alegria?
Será algum diamante
a arder, na aurora tão fria?

Já se houve cantar o negro,
pela agreste imensidão.
Seus donos estão dormindo:
quem sabe o que sonharão!
Mas os feitores espiam,
de olhos pregados no chão.

Já se ouve cantar o negro.
Que saudade, pela serra!
Os corpos, naquelas águas
- as almas, por longe terra.
Em cada vida de escravo,
que surda, perdida guerra!

CECÍLIA MEIRELES