MENSAGEM

sábado, 1 de maio de 2010

antes que o relógio marque meia noite.


Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.


Charles Chaplin.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

recomeço.


Quando o sol bater

Na janela do teu quarto,Lembra e vê

Que o caminho é um só,
Porque esperar

Se podemos começar Tudo de novo?

Agora mesmo,
A humanidade é desumana Mas ainda temos chance,O sol nasce pra todos,Só não sabe quem não quer,
Quando o sol bater Na janela do teu quarto,Lembra e vê Que o caminho é um só,
Até bem pouco tempo atrás,Poderíamos mudar o mundo,Quem roubou nossa coragem?

Tudo é dor,E toda dor vem do desejo,De não sentimos dor,
Quando o sol bater Na janela do teu quarto,Lembra e vê Que o caminho é um só.


LEGIÃO URBANA.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

crescendo com as críticas.


Aprender é preciso. Reconhecer as próprias estultícias, mais ainda. Até porque, como poderemos crescer, mudar, se estivermos engessados e não aceitarmos as críticas que nos dão? Há sempre um fundo de verdade nos maus comentários, por isso estou sempre atenta a eles. Às vezes o que parece ser apenas inveja alheia é um prenúncio de que estamos caminhando por uma rota inadequada.



Juliana DuArte escreve no blog http://saltoalto.2u.blog.br/.

domingo, 25 de abril de 2010

Sonho de uma Flauta .


Nem toda palavra é Aquilo que o dicionário diz Nem todo pedaço de pedra Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho Que não sabe bater asa Passarinho voando longe Parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor Que o vento tirou pra dançar Flor parece a gente Pois somos semente do que ainda virá


A gente parece formiga Lá de cima do avião O céu parece um chão de areia Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaçaTem gente que acha que ela é algodão Algodão as vezes é doce Mas as vezes né doce não


Sonho parece verdade Quando a gente esquece de acordar O dia parece metade Quando a gente acorda e esquece de levantar Hum... E o mundo é perfeito Hum... E o mundo é perfeito E o mundo é perfeito
Eu não pareço meu pai Nem pareço com meu irmão Sei que toda mãe é santa Sei que incerteza traz inspiração


Tem beijo que parece mordida Tem mordida que parece carinho Tem carinho que parece briga Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem riso que parece choro Tem choro que é por alegria Tem dia que parece noite E a tristeza parece poesia


Tem motivo pra viver de novo Tem o novo que quer ter motivo Tem aquele que parece feio Mas o Coração diz que é o mais Bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas É querer saber demais Querer saber demais.


O Teatro Mágico.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

desilgualdade e esperança.


Basta ver a sorte inclemente dos miseráveis para perder o sono. Não é fácil conviver com a desigualdade social que rouba sonhos, tormenta, mata. Mas alegria explode no vértice do sofrimento; bastam o abraço despretensioso do neto, a alegria do casal que adotou, o zelo resiliente da mãe do filho com paralisia cerebral e o trabalho anônimo do voluntário.


ricardo gondim.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.



Vinícius de Moraes

É de coração


Como descrever, como expressar Um amor que vai de Leste a Oeste E nunca mais vai terminar.

Tu me conheces bem, sabes quem eu sou. Não há como me esconder de Ti Sempre sabes onde estou.


É de coração tudo o que eu disser Num hino de louvor a Jesus de Nazaré Se as palavras não mostrarem Como é grande a minha gratidão Mesmo assim, Senhor, recebe o meu louvor É de coração.


Não vou esquecer, não vou desprezar O amor que Tu me revelaste ali pra me resgatar Tu me conheces bem, sabes quem eu sou Não há como me esconder de Ti Sempre sabes onde estou.



É de coração (versão: Gerson Borges)(Listen to our heart – Steven Curtis Chapman/Geoff Moore)



segunda-feira, 12 de abril de 2010

A paixão.


Os instintos são magníficos como força condutora, mas perigosos como guias. A paixão sem a razão é cega, a razão sem a paixão é inativa. As paixões são vícios quando nascem de ideias inadequadas. São virtudes quando nascem de ideias adequadas.


Spinoza.

domingo, 11 de abril de 2010

"abre-te, Sésamo"


"É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta do "abre-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol. "


(Clarice Lispector)

sábado, 10 de abril de 2010

Aqui está minha...


"Aqui está minha vida.Esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.


Aqui está minha voz,esta concha vazia, sombra de somcurtindo seu próprio lamento


Aqui está minha dor,este coral quebrado,sobrevivendo ao seu patético momento.


Aqui está minha herança,este mar solitárioque de um lado era amor e, de outro, esquecimento".



Cecilia Meireles

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Almas Perfumadas.


Tem gente que tem cheirode passarinho quando canta,de sol quando acorda,de flor quando ri.
Ao lado delas,a gente se sente no balanço de uma redeque dança gostoso numa tarde grande,sem relógio e sem agenda.


Ao lado delas,a gente se sente comendo pipoca na praça,lambuzando o queixo de sorvete,melando os dedos com algodão doceda cor mais doce que tem pra escolher.O tempo é outro.E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,mas que a gente desaprende de ver.


Tem gente que tem cheirode colo de Deus,de banho de marquando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas,a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,sonhando a maior tolice do mundocom o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas,pode ser abril,mas parece manhã de Natal,do tempo em que a gente acordavae encontrava o presente do Papai Noel.


Tem gente que tem cheirodas estrelas que Deus acendeu no céue daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,a gente não acha que o amor é possível,a gente tem certeza.
Ao lado delas,a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,recebendo um buquê de carinhos,abraçando um filhote de urso panda,tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,saboreamos a delícia do toque suaveque sua presença sopra no nosso coração.


Tem gente que tem cheirode cafuné sem pressa,do brinquedo que a gente não largava,do acalanto que o silêncio canta,de passeio no jardim.
Ao lado delas,a gente percebe que a sensualidadeé um perfume que vem de dentroe que a atração que realmente nos movenão passa só pelo corpo.Corre em outras veias.Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,a gente lembra que no instante em que rimosDeus está conosco, juntinho, ao nosso lado.E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você,que nem percebe como tem a alma perfumadae que esse perfume é dom de Deus.


Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

o tempo e o rio.


Mas o tempo é como um rio

que caminha para o mar

passa, como passa o passarinho

passa o vento e o desespero

passa como passa a agonia

passa a noite, passa o dia

mesmo o dia derradeiro

ah, todo o tempo há de passar

como passa a mão e o rio

que lavaram teu cabelo.

domingo, 4 de abril de 2010

É o tempo da travessia.


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, pra sempre, à margem de nós mesmos"


Fernando Pessoa

sábado, 3 de abril de 2010

o caminho.


"O caminho é este.

tem pedra, tem sol,

tem bandido, mocinho

tem você amando, tem você sozinho

é só escolher ou vai, ou fica.

Fui."


(Martha Medeiros)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

o que eu queria dizer a todo mundo que me gosta .


Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta Que hoje eu me gosto muito mais Porque me entendo muito mais também


E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora É se respeitar na sua força e fé E se olhar bem fundo até o dedão do pé


Eu apenas queira que você soubesse Que essa criança brinca nesta roda E não teme o corte de novas feridas Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...



(Gonzaguinha)

PACIÊNCIA.


Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma A vida não pára...


Enquanto o tempo Acelera e pede pressa Eu me recuso faço hora Vou na valsa A vida é tão rara...


Enquanto todo mundo Espera a cura do mal E a loucura finge Que isso tudo é normal Eu finjo ter paciência...


O mundo vai girando Cada vez mais veloz A gente espera do mundo E o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência...


Será que é tempo Que lhe falta prá perceber?Será que temos esse tempo Prá perder?E quem quer saber?A vida é tão rara Tão rara...



LENINE.

Em que tom queremos viver?


Em que tom queremos viver? (não perguntei como vivemos)Em meios- tons melancólicos, em tons mais claros, com pressa e superficialidae, ou alternando alegria e prazer com momentos profundos e reflexivos.Apenas correndo pela superfície ou de vez em quando mergulhando em águas profundas.Distraídos pelo barulho em torno ou escutando as vozes nas pausas e nos silêncios- a nossa voz, a voz do outro.Nosso tom será o de suspeita e desconfiança ou serão varandas abrindo para a paisagem além de qualquer limite?Parte disso depende de nós. Somos autores de boa parte de nossas escolhas e omissões, audácia ou acomodação,nossa esperança e fraternidade ou nossa desconfiança. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar."


LYA LUFT"

estou feliz onde estou.


"Plantei árvores, tive filhos, escrevi livros,tenho muitos amigos e, sobretudo, gosto de brincar. Que mais posso desejar? Se eu pudesse viver minha vida novamente, eu a viveria como a vivi porque estou feliz onde estou."


Rubem Alves

quarta-feira, 31 de março de 2010

Como é estranho ver as certezas ruírem.


Como é estranho ver as certezas ruírem; eu que já defendi minhas convicções como um Mosqueteiro medieval; que fui inquisidor; que já pedi cabeças na guilhotina e aticei fogueiras para arder hereges. Tantas convicções se esfarinharam diante da dureza do sofrimento humano que, hoje, meu único dogma é o amor. Minha única sede é me humanizar e meu único alvo, não perder a alma.


ricardo gondim.

quando uma etapa chega ao final...


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.


Fernando Pessoa.

antes, é necessário ser um.


Enquanto não superarmos a ânsia do
amor sem limites,
não podemos crescer emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,continuaremos a nos buscar em outras metades.

Para viver a dois,
antes,
é necessário ser um.


(Fernando Pessoa)

terça-feira, 30 de março de 2010

Ás vezes...


Às vezes é melhor deixar o barco correr

Às vezes é melhor não ter o que dizer

Às vezes é melhor não confiar em alguém

Às vezes pode ser um risco a correr...


Sabe aquelas horas que são eternidade

Que trazem só distâncias e nunca a verdade

Sabe aquele medo que não pede licença

Que te soca dormindo, sem tempo de ter reação?

Às vezes é melhor se esconder

Mas como então viver e aprender sem se machucar?


Às vezes eu não quero parar de acreditar

Às vezes da uma vontade louca de parar

Às vezes eu me sinto livre e quero ir pro mar

Às vezes eu não quero nem mesmo pensar...



Catedral

o meu mundo.


«O meu mundo não é como o dos outros,quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa;sou antes uma exaltada,com uma alma intensa, violenta, atormentada,uma alma que não se sente bem onde está,que tem saudade… sei lá de quê!»


Florbela Espanca.

domingo, 28 de março de 2010

Desejo


Eu queria que o mar nos envolvesse
na intimidade dos amantes
e penetrando nossos pêlos,
nossos poros,
permanecesse em nós
como cheiro de sal!

Eu queria abraçar todo o universo
porque neste abraço tu virias
e eu teria a tua pele morena
marcada de sol
os teus cabelos molhados, suados!

Eu queria ver teu sorriso
descendo, brincando
em tua boca,
correndo em teus olhos!

Eu queria a magia do dia
e o feitiço da noite!

Eu queria o teu corpo
com gotas de mar
pingos de estrelas
gosto de vida!



carmelinda bampi

sábado, 20 de março de 2010

o meu mundo.


Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.


Martha Medeiros.

duvidar.


Na construção do conhecimento (uma de nossas funções), a dúvida desempenha um papel essencial. Devemos duvidar do que as fontes nos dizem, questioná-las, problematizá-las, para que delas possamos extrair, a duras penas, algo de valor. Precisamos também manter esta atitude cética, e talvez principalmente, em relação às nossas leituras (in)formativas, do conhecimento já construído, para podermos perceber suas falhas e repará-lo, avançando nessa estrada sem fim, e talvez até sem direção.


Este escrito termina, assim, com uma súplica: duvidemos! A partir da dúvida surge o debate; dele, quem sabe, o progresso? Duvidemos de todas as noções expostas neste espaço (algo além, é verdade, da minha capacidade, mas que tento), mas duvidemos. E que, através desta atitude cética, possamos construir algo, ainda que sejam apenas mais dúvidas. Ou talvez eu deva dizer, para que surjam mais dúvidas?



Thiago Krause

quarta-feira, 17 de março de 2010

SÚPLICA.


Por favor, não fustigue as feridas narcísicas que ainda supuram na minha alma. Você não conhece os traumas que padeci no jardim da infância. Tenha cuidado com os nervos expostos. Lágrimas ainda quentes lembram repreensões infundadas que ruborizaram o meu rosto.


Por favor, não pise se já estou caído. Não tripudie na minha derrota. Os abatidos não merecem essa trágica inclemência. Sinto-me frágil e ainda noto que uma rigorosa espada balança sobre meu pescoço. Preciso de um olhar calmo, que firme os meus pés. Não transforme o meu medo em pânico.


Por favor, não me exile. Ostracismos não regeneram. Sinto-me fósforo riscado, garrafa vazia, pente quebrado. Acolha-me como um órfão. Faça do seu regaço uma maca, das mãos, um atracadouro e dos ombros, um arrimo. Não recrimine, preciso de norte. Seja samaritano, sou o viajante que jaz na beira da estrada.


Por favor, não me deixe com esta crise de aceitação. Sofro por saber que meu prato não está na mesa, que meu nome não consta nas listas, que minha foto foi arrancada do albúm. Você não imagina o constrangimento de saber que provoco risos sarcásticos. Todos queremos ser queridos, desejados. Espero, realmente espero, que voltemos a rir juntos e que meu caminho volte a ser de paz.



AUTOR DESCONHECIDO.

terça-feira, 16 de março de 2010

A céu aberto.


Por favor, não me pergunte agora Por que ainda a minha alma chora Pode ser a dor que não senti Pode ser o amor que eu não vivi Pode ser o medo do amanhã que aflora.


Por favor, não cobre coerência De quem não discerne a existência Que desde o início faz questão De mostrar que a última estação Chega sempre sem acepção ou clemência


Não dá pra voltar e corrigir Nem para esquecer, tentar fugir Após tanto tempo ainda mentir Não fará qualquer sentido O passado só é por passar Morte é renascer noutro lugar E se o futuro ainda não bastar Bem melhor não ter nascido


Por favor, só se preserve perto Pois nem mesmo disto estou certo Posso precisar da sua mão Me ajudando na investigação Ou pra carregar o meu caixão A céu aberto.



alisson ambróssio.

segunda-feira, 15 de março de 2010

saudades.


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem, Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, cárie e pedra no rim...Tudo dói!
Mas, que mais dói é a saudade!Saudade de um irmão que mora longe...Saudade de uma brincadeira da infância...Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais...Saudade de alguém querido que morreu...Do amigo imaginário que nunca existiu...Saudade de uma cidade...Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas!Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama!


marcia oliveira.

confisão.


Não amei bastante meu semelhante, não catei o verme nem curei a sarna. Só proferi algumas palavras, melodiosas, tarde, ao voltar da festa.

Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olhos
embaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.

Do que restou, como compor um homem
e tudo que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, murmúrios
de riso, entrega, amor e piedade?

Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido –
que se esfacelou na asa do avião.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.





domingo, 14 de março de 2010

o Deus conosco.


Jesus é Deus conosco, Emanuel. O grande mistério de Deus ao se tornar humano é seu desejo de ser amado por nós. Ao se tornar uma criança vulnerável, completamente dependente de cuidado humano, Ele quer eliminar toda a distância entre o humano e o divino.Quem pode ter medo de uma pequena criança que precisa ser alimentada, cuidada,ensinada e guiada? Normalmente falamos de Deus como o Deus onipotente, Todo-Poderoso,de quem dependemos totalmente. Mas Ele quis se tornar o Deus não-onipotente, todo-vulnerável,que depende completamente de nós. Como podemos ter medo de um Deus que deseja ser "Deus conosco" e que nos tornemos"Nós-com-Deus"?


Henri Nouwen

sábado, 13 de março de 2010

recolhimento.


Nunca me recolho como quem tem medo de companhia, como quem se basta a si mesmo, ou como quem se acha uma estranheza no mundo. Pelo contrário, recolhendo-me conheço melhor e reconheço minha finitude, minha indigência, que me inscrevem em permanente busca, inviável no isolamento. O isolamento só tem sentido quando, em vez de negar a comunhão, a confirma como um momento seu.


Paulo Freire em A Sombra desta Mangueira.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Uma aprendizagem de desaprender...


O essencial é saber ver – Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)Isso exige um estudo profundo,Uma aprendizagem de desaprender...
Procuro despir-me do que aprendi Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me Ensinaram,E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras Desembrulhar-me e ser eu...


Alberto Caeiro, O Aprendiz que desaprende.

livres.


Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela. Ser livre - como diria o famoso Conselheiro... - é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de teleguiado - é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.). Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.


Cecília Meireles.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A pergunta de Deus para a humanidade.


A PERGUNTA de Deus para a humanidade foi: "Onde estás?" (Gênesis 3.9). Esta é a pergunta ouvida por aqueles que internalizaram a moral de responsabilidade. A fé é uma forma de escutar, e aquilo que escutamos no silêncio imóvel da alma é a pergunta de Deus: "O que você tem feito com a dádiva que Eu lhe dei, a vida? Como você usa o seu tempo? Você vive para si mesmo ou vive também para os outros? A sua pergunta básica é 'O que o mundo pode me dar?' ou é 'O que eu posso dar para o mundo?' Você tem buscado a bênção ou você tem sido uma benção?"


Jonathan Sacks em "Para curar um mundo fraturado"

terça-feira, 9 de março de 2010

o presente e o futuro.


... Entendi muito cedo que uma vida se passa num tempinho à-toa, olhando para os adultos ao meu redor, tão apressados, tão estressados por causa do prazo de vencimento, tão ávidos de agora para não pensarem no amanhã... Mas, se tememos o amanhã, é porque não sabemos construir o presente e, quando não sabemos construir o presente, contamos que amanhã saberemos e nos ferramos, porque amanhã acaba sempre por se tornar hoje, não é mesmo?Portanto, não devemos de jeito nenhum esquecer aquilo. É preciso viver com essa certeza de que envelheceremos e não será bonito, nem bom, nem alegre. E pensar que é agora que importa: construir agora, alguma coisa, a qualquer preço, com todas as nossas forças. Sempre ter na cabeça o asilo de idosos a fim de nos superarmos a cada dia, para tornar cada dia imperecível. Escalar passo a passo nosso próprio Everest e fazê-lo de tal modo que cada passo seja um pouco de eternidade. O futuro serve para isto: para construir o presente com verdadeiros projetos de pessoas vivas.


Muriel Barbery em A Elegância do Ouriço.

esperança.


Sem um vislumbre de amanhã, é impossível a esperança. O passado não gera esperança, a não ser quando se recordam momentos de rebeldia, de ousadia, de luta. O passado entendido como imobilização do que foi, gera saudade, pior, nostalgia, que anula o amanhã. Quase sempre as situações concretas de opressão reduzem o tempo histórico dos oprimidos a um eterno presente de desesperança e acomodação. O neto oprimido repete o sofrimento do avô. É o que ocorre com as maiorias nordestinas deste país. Existencialmente cansadas, historicamente anestesiadas.


Paulo Freire em À Sombra desta Mangueira - Editora Olho Dágua, p. 31.

sábado, 6 de março de 2010

Vamos, poema de amor.


Vamos, poema de amor, levante-se dentre os vidros partidos que chegou a hora de cantar. Ajude-me, poema de amor, a restabelecer a integridade, a cantar sobre a dor.

É verdade que o mundo não se limpa de guerras, não se lava de sangue, não se corrige do ódio. É verdade.

Mas é igualmente verdade que nos aproximamos de uma evidência: os violentos se refletem no espelho do mundo e seu rosto não é bonito nem para eles mesmos.

E continuo acreditando na possibilidade do amor. Tenho a certeza do entendimento entre os seres humanos, logrado sobre o sofrimento, sobre o sangue e sobre os cristais quebrados.


pablo neruda.

Não tente explicar Deus!


Não tente explicar Deus! Se Ele manda orar, ore; se Ele manda amar, ame; se Ele manda confiar, confie; se Ele manda que nos submetamos à Sua vontade, façamos isto; se Ele diz que seu mandamento é amor—pelo amor de Deus, não inventemos uma teologia dogmática e nem sistemática!


CAIO FÁBIO.

quinta-feira, 4 de março de 2010

em busca de lágrimas perdidas.


Fiz-me irmão, e doei-me inteiramente a companheiros, mas hoje hesito. Desconfiado, reparto pedaços do coração. Não suporto imaginar a dor de outras separações, de mais decepções.


Tenho medo de abrir os porões da alma. A desarrumação de minha casa faz sentido para mim. O que os outros consideram bagunça, tem uma sincronicidade própria, que me deixa em paz. Vacilo em rasgar os envelopes selados, onde escondo segredos. Sei detectar os traumas que me deixaram chorão, os complexos que me deram olhos melosos, as circunstâncias que me fizeram viver à beira do pranto, as fragilidades que me transformaram em tímido. Mas não pretendo explicar nada a ninguém.



Tornei-me cauteloso quando brinco e rio. Fujo dos que procuram analisar a minha felicidade; ela não carece de julgamentos. O riso que meus lábios desenham não tem que ser explicado.


Olho para colegas e antecipo navalhadas. Resguardo as costas dos estiletes da inveja. Assusto-me. As maldades que já sofri são parecidas com as que eu próprio já acalentei no peito. Se não sei explicar o porquê de atitudes mesquinhas em mim, também não justifico a estreiteza que observo no próximo. Não sou pior nem melhor que os demais. Por isso, cerco o quintal de casa contra lobos ferozes. Sempre espero alguém ávido para destruir o pedacinho da dignidade que me resta.



ricardo gondim.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VENTO que rasga a al-ma .


Quando o coração é levado pelo vento do acaso, a ponto de se encontrar com raios no céu chuvoso, ele é rasgado e se divide em pedaços.Olhamos e vemos os pedaços do coração descendo em nuvens de desapontamento, sem muito a dizer ou ser.

Tentamos juntar os pedaços que não reconhecemos como antes.


Hoje olhamos, vemos pedaços triturados. Aquele não existe mais, agora estão rachados e trincados.


A vida é assim, se divide em passado, presente e futuro.


O coração também. Ora inteiro, ora rasgado, trincado, moído, disperso; um dia focado, hoje não mais.


O que nos resta é tentar não desesperar.


Nós somos assim; vivemos pegando pedaços, letras, sobras e tentamos colar, consertar, montar palavras, que quando muito, dão remendos mal feitos ou algumas frases pobres e insignificantes.


Somos iguais aos nossos pais?Somos parecidos com nossos antepassados?


Mas se afinal não conseguimos parecer com ninguém, porque somos únicos, queremos ser alguém!


Ou apenas encontrar significado em nossas escolhas ou no abandono delas.


Acredito que, na verdade, só queremos amar! Mas fazemos do amor um mecanismo complexo, que muitas vezes entornamos como leite derramado, onde não há retorno.


Tentamos! E penso que não vamos parar de tentar! Não gostamos do que vemos, mas pegamos o pano e passamos no chão da vida. O leite perdido, seiva na rota errada, esvaiu-se para sempre.


Não há colagem, nem conserto, nem remendo para algumas coisas na vida.


O coração persegue esta estrada, mas tenha sempre em mente, que não existe coração que não seja dividido ou machucado.


Coração é assim: uma parte bate, outra sente, outra chora. Um lado fica e outro diz que vai embora.


Somos assim e vamos viver assim.



Fonte: http://fagulhasdodivino.blogspot.com

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Campos desertos.


Herdei um campo onde o patrão é rei
Tendo poderes sobre o pão e as águas
Onde esquecido vive o peão sem leis
De pés descalços cabresteando mágoas

Campos desertos que não geram pão Onde a ganância anda de rédeas soltas...


Engenheiros do Hawaii.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

somos quem podemos ser.


Um dia me disseram Que as nuvens Não eram de algodão

Um dia me disseram Que os ventos Às vezes erram a direção

E tudo ficou tão claro Um intervalo na escuridão

Uma estrela de brilho raro Um disparo para um coração...


A vida imita o vídeo

Garotos inventamUm novo inglês

Vivendo num país sedento

Um momento de embriaguez...


Somos quem podemos ser...

Sonhos que podemos ter...


Um dia me disseram

Quem eram os donos

Da situação

Sem querer eles me deram

As chaves que abrem

Essa prisão

E tudo ficou tão claro

O que era raro, ficou comum

Como um dia depois do outro

Como um dia, um dia comum...


Quem ocupa o tronoTem culpa

Quem oculta o crimeTambém

Quem duvida da vidaTem culpa

Quem evita a dúvidaTambém tem...



Somos Quem Podemos Ser
Engenheiros do Hawaii


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ao Senhor dos Pequeninos.


“Faze-me Senhor pequena ostra

Que em pérola transforma sua dor

Podendo transformar o meu problema

Numa mensagem em forma de poema

Capaz de transmitir paz e amor”


Myrthes Matias, em sua poesia “Ao Senhor dos Pequeninos”

o convite.


"Não me importa saber como você ganha a vida.Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar emsatisfazer seus anseios do seu coração.


Não me interessa saber sua idade.Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.


Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,se as traições da vida o enriqueceramou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.Quero saber se você consegue conviver com a dor,a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.


Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria,a minha ou a sua, de dançar com total abandonoe deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas,que nos lembremos das limitações da condição humana.


Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo.Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.


Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia,ainda que ela não seja bonita,e fazer dela a fonte da sua vida.


Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu,e ainda assim pôr-se de pé na beira do lagoe gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!"


Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feitopara alimentar seus filhos.


Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.


Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.


Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e senos momentos vazios realmente gosta da sua companhia.



"(Oriah Mountain Dreamer, em O Convite)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

variação.


Às vezes me sinto qual despedida

Hiato entre o sim e o talvez

Às vezes me sinto feito saudade

Um cheiro de vida e adeus


Às vezes me sinto nublado e frio

Ora completo, ora vazio

Sou dias de flores, de sóis, de amores

Às vezes somente um nó!


Às vezes sou festa, sou dança e canção

Ora se cala o meu coração

Mas todas as vezes, sem variação

Eu sou querido de Deus!


Às vezes sou pedra, coluna e rio

Ora incerteza, vexame e arrepio

Mas todas as vezes, de graça e paixão

Eu sou amado de DeusEu sou um filho de Deus.



marcio cardoso.

Saber Viver.


Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.


Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.


E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

Não seja nem curta,

Nem longa demais,

Mas que seja intensa,

Verdadeira, pura... Enquanto durar



(Cora Coralina)

mais um dia se passou...


Vejo o tempo escapando por entre os meus dedos e isso me abate a alma. Ergo-me da cama assustado: ‘meu Deus, mais um dia se passou, colocando-me a menos um do meu fim. Quem irá cuidar da minha poesia? Quem vai cantar minhas canções quando eu me for? Quem vai traduzir corretamente tudo o que significou esse saco de ossos, nervos e veias que atendia pelo meu nome quando chamado?’

Uma faísca de esperança nasce teimosa, lá no último cômodo da minha alma. Um vento qualquer e travesso pode apagá-la, tão frágil e delicada é sua chama. Não me provoquem! Posso apertá-la entre os dedos, sentindo a dor derradeira de sua queimadura quase insignificante. Depois, ergo-me e vou por aí... Procurando alguma poesia, escondida num canto qualquer e esperando por alguém tão desatento quanto eu, que nela esbarre sem querer...


Allison Ambrosio.